quarta-feira, 20 de abril de 2022

Quem faz a fama, deita na ca(â)ma(ra)? Um breve momento na Gaiola das Loucas!

 Algo vai muito mal quando juízes e policiais protagonizam política, e pior ainda, quando são políticos que os chamam para tal tarefa...


Não que magistrados, e todo o resto da burocracia estatal de todos os poderes, ocupantes de cargos chamados estáveis (acesso por concurso), não se guiem por motivações de âmbito político, nada disso, é justamente o contrário...


Porém, os limites destas ações políticas por agentes públicos, nem sempre visíveis, se medem (muito mais) pelo desconforto quando são ultrapassados...


É o caso da cidade de Campos dos Goytacazes, que bem pode ser comparada a versão para a telona de Gaiola das Loucas, quando todas as aparências enganam e ninguém é o que diz ser...


Antes que os homofóbicos urrem, a alusão é uma metáfora ao roteiro do filme protagonizado por Robin Williams, Nathan Lane, Gene Hackman, e os não menos formidáveis Hank Azaria e Dianne Wiest...


No filme, um casal de jovens resolve anunciar o casamento, sendo que o rapaz é filho de um casal de homens...


A partir daí se desenrola a trama, onde um dos pais se veste de mulher para satisfazer o conservadorismo homofóbico dos pais da moça, com enfoque no pai da moça, um senador republicando ultra conservador, mas acossado por um escândalo, e vê no casamento da filha uma chance de distrair a atenção dos eleitores...


Mais ou menos como a tragicomédia da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes...


Explico...


Assim como o pai que se veste de mulher para agradar os pais da noiva, o presidente da Câmara de Campos dos Goytacazes tenta aparentar o que não é...


Não é um hábil político, não é um experiente gestor, e seu único talento é representar...ou seja, para agradar os "pais da noiva", seus chefes políticos (leia-se a família Garotinho) ele é capaz de tudo, menos de ser ele mesmo, e fica a pergunta: quem será ele mesmo?


Poderá ele sair desta confusão com algum capital político?

Sim, mas a que preço?


Por outro lado, o prefeito e seu grupo político bem que poderiam estar representados no pai conservador da moça, buscando a qualquer preço uma notícia que afaste os olhares sobre si mesmos...


Os teóricos da conspiração compartilham essa noção veiculada acima, e dizem que tudo não passa de jogo de cena movido pelo atual prefeito, para distrair a atenção para algumas questões graves:


1- Seu governo é um rotundo fracasso, em qualquer direção que se olhe, basta dizer que a Secretaria de Educação ficou com escolas quase dois anos fechadas, e teve todo tempo para planejar a volta às aulas, e sequer colocou comida decente nos pratos dos petizes...que dirá o resto...


2- O movimento de desgaste e abandono do governo pelos antigos vereadores aliados é fruto do rompimento dos acordos de campanha, e por isso, o prefeito resolveu jogar no tudo ou nada, e se perdesse, como bom "garoto mimado", resolveu levar a bola do jogo embaixo do braço...


3- A "jogada antecipada" ou no jargão futebolístico, a "paradinha" para bater o pênalti, ou seja, a eleição da Mesa Diretora e para Presidência da Casa de Leis, teria sido uma tentativa desesperada de recuperar um controle que se esvaía pelas mãos, mas faltou antes "combinar com os russos"...


Estas hipóteses acima não se excluem...

Esta tática não é inédita...


O mentor e inspirador político do prefeito de Campos dos Goytacazes, o Presidente da República utiliza os mesmos esquemas, impulsionado por cliques e engajamentos...


Voltando à nossa metáfora cinéfila, há na Casa de Leis todo tipo de personagem, desde o mordomo do casal gay que se equilibra nas suas poucas habilidades culinárias para agradar o gosto refinado dos convivas, a mídia ensandecida e moralista, tudo ambientado em um clube noturno onde tudo é possível e permitido...

Como combustível elementar, a boa e velha hipocrisia, seja no senador ultra republicano (Hackman), seja entre o casal gay, que afinal, cede à homofobia do filho e deles mesmos, quando aceitam fingir serem um casal hétero...


A verdade, senhoras e senhores, é que o atual estágio (in)civilizatório parece ter diluído, ou melhor dizendo, dissolvido qualquer laço entre os sistemas representativos e a realidade (seja lá o que "realidade" signifique hoje em dia)...


Não há decoro, mesmo que capenga...Não há vergonha, mesmo que alheia...Não há senso de responsabilidade ou espírito público, mesmo que encenado...

Afinal, este é um bom (mau) final para esta cidade desgraçada...dominada por herdeiros, escravocratas, parasitas autoproclamados de "produtivos", setores médios abaixo da média, enfim...é o que merecem...eles que se merecem...






terça-feira, 15 de março de 2022

Quem vai reparar o irreparável?

 O juiz Ricardo Lewandowski anulou a sentença de pouco menos de 04 anos cominada às condutas de Thiago Ferrugem no processo conhecido como "Chequinho"...

Para quem já esqueceu, este processo tratou do uso (indevido) de recursos de proteção social para fins eleitorais ilícitos (captação de votos pela recompensa pecuniária)...

São vários os condenados, e as penas variam de acordo com a responsabilidade atribuída a cada um...

Pois bem, na época, este escriba do Peido News atuava na redação do extinto Planície Lamacenta, e já diagnosticava os perigos e excessos da nau da insensata "devassa judicial", cujas velas eram sopradas pela farsa-jato...

Típico dos momentos de "Terror", vem a calmaria da retratação culpada, e recheada do receio de revanche...

Maximilien de Robespierre que o diga...


O fato é que daquela intervenção indevida dos aparatos estatais de persecução, todos ratificados pelas decisões do então onipresente, onipotente, mas nem tão onisciente Judiciário, sobrou para a população de Campos dos Goytacazes um governo eleito de forma dirigida e, digamos, indigna, que por sua vez, executou uma administração correspondentemente ilegítima...


Apoiado descaradamente pela mídia local, ela mesma portadora dos Autos de Fé do Moralismo Cego, o (des)governo Rafael Diniz deixou a cidade destroçada...


Tudo bem, tudo bem, a desgraça do povo campista seria do jogo democrático (escolhas ruins, resultados piores) caso a eleição não houvesse sido conspurcada pelo consórcio mídia-elites econômicas-judiciário, assim como no plano nacional...


Já disse alguém que Vargas disse que Campos é o espelho do Brasil...pois é, triste maldição, né?


Agora, anuladas a sentença do Thiago Ferrugem por completo e insanável vício, haja vista a contaminação e posterior inépcia das provas principais do processo (os arquivos retirados do computador da secretaria onde o programa se executava), certamente, todos os demais condenados se aproveitarão deste incidente processual de natureza constitucional (validade da prova, cadeia de custódia, etc).


Sim, eu poderia dizer: "eu avisei"...


Eu poderia desagradar pessoas que eu tenho certeza agiram de boa-fé, ou acreditando que eram portadoras de um tipo de dever cívico contra aquilo que entendiam por mal irreparável, neste caso, a dinastia política de um determinado grupo e seus métodos políticos...


Eu poderia dizer o que sempre disse, que a existência de um ramo (especial?) da justiça para tutelar as eleições é uma aberração injustificável em estados democráticos de direito...


Eu poderia dizer que só as mais frágeis sociedades recorrem às tais instâncias judicantes, sendo certo que em democracias maduras, é papel dos partidos e eleitores regularem e fiscalizarem os atos próprios do jogo eleitoral, com reserva última e excepcionais para resolução de conflitos por algum poder jurisdicional...


Mas tudo que eu disser ainda vai ser pouco...


Não tenho dúvida que MP, Judiciário, etc, tenham cumprido seus papéis, e não duvido da lisura e da retidão de policiais, promotores e juízes...

Por outro lado, não posso deixar de dizer que foram ações tristes, ingênuas e manipuladas por interesses escusos, que alimentaram crenças, que por sua vez substituíram o dever de ofício da observância dos limites dos poderes os quais representavam, e que em razão derradeira, somos nós, o poder originário, o povo que concedemos e delegamos, seja nos cargos eleitorais, sejam nas carreiras de Estado...


Causaram um mal irreparável ao povo, em nome desse mesmo povo...


Não vou me referir aqui aos réus e condenados, pois cada qual que o faça no âmbito de seu desejo, sua resiliência ou ressentimento...


Vou falar da História que não pode ser resgatada, das eleições que não podem ser repetidas, dos resultados drásticos que elas nos trouxeram, isto é, a pior administração recente na vida da população da planície lamacenta...

Quem vai reparar o irreparável?

Será que esse pessoal que carregou as tochas desta pequena Inquisição pedirão desculpas?

Será que as pocilgas editoriais da conhecida mídia que vende o verbo pela verba pelas ruas da cidade recorrerá a alguma auto crítica, como sempre exige do PT e seus aliados?


Aguardemos...




 

quinta-feira, 10 de março de 2022

Nossa água não mata sede...mata quem a bebe!!!!!!

O cinema, na minha opinião, tem o poder de elevar certas narrativas biográficas a um patamar de reflexão (algumas vezes em caráter coletivo) que nenhuma outra forma de manifestação artística alcança...

Vejam, esta é só minha opinião...

Tem gente que acha que este poder é da música, das artes visuais (pintura, escultura, fotografia, etc.), teatro, dança...

Eu prefiro o cinema...


Neste diapasão, dois filmes me marcaram violentamente, dentre tantos outros...

Erin Brockovich...e Dark Waters, o primeiro protagonizado por Julia Roberts, e o segundo, Mark Ruffalo...


Tratam do mesmo tema: a sistemática e criminosa ação de grandes grupos empresariais na contaminação do abastecimento de água de enormes contingentes populacionais com substâncias capazes de causar danos mortais, e em outros casos, irreparáveis aos sobreviventes...


A PG & E (sigla para Pacific Gas and Eletric Company) e a Du Pont foram as empresas desmascaradas pela ação implacável dos heróis retratados nos filmes, que como cabe a um bom enredo hollywoodiano sofrem antes com a descrença de todos, abalos familiares pela persistência que chega às raias da obsessão, e claro e principalmente, com os efeitos de desafiarem o enorme poder econômico destas megacorporações, suas ramificações na mídia e em governos!


No caso da PG&E, a substância era o cromo hexavalente, um tipo de insumo usado para evitar a corrosão das peças da usina geradora de energia pelo contato constante com a água de resfriamento e outros processos...


O cromo hexavalente era jogado no lençol freático quando a água residual dos processos era acumulada sem qualquer proteção em enormes tanques, que por óbvio, infiltravam no subsolo...


Já no caso da Du Pont, a substância empregada era o Ácido Perfluoroocatnóico, ou C8, como era conhecido na indústria...


O filme com Mark Ruffalo, apesar das óbvias diferenças entre os personagens, segue o mesmo caminho...


Merecem ser vistos, por isso nada mais contarei sobre ele...


O fato é que estamos vivendo situação parecida há décadas em nossa cidade e em nossa região...


Em um país com históricos números de péssimo atendimento em saneamento básico (água potável e recolhimento e tratamento de resíduos) a questão da água sempre foi pautada por muita desinformação, manipulação e crime!


Durante anos e anos, setores empresariais e agro empresariais captaram volumes enormes de água como insumo para suas atividades, sem qualquer pagamento, e depois, com pagamentos muito aquém do real custo do uso do recurso...


Ao mesmo tempo, as cidades dividiram o uso e consumo da água com a mesma lógica hierárquica de sempre: pobres com pouca água, e de baixa qualidade, e ricos com muita oferta e boa qualidade de água...apesar dos pobres pagarem proporcionalmente muito mais pelo produto...


Agora, nos parece que o problema afeta a todos, já que todos bebem água...envenenada...


Na cidade de Campos dos Goytacazes, e em tantas outras pelo país, as empresas de água seguem produzindo água com níveis preocupantes de substâncias tóxicas, que é oferecida todos os dias, como uma morte lenta e anunciada os cidadãos...


Faço referência ao texto do companheiro e Professor Marcos Pedlowski (aqui)

O mapa da água nos revela que não estamos em situação muito diferente dos vizinhos das plantas da PG&E ou da Du Pont...

Esta questão deveria trazer à tona um tipo de indignação coletiva desenfreada e extrema...

Imagine se alguém te disser que adiciona um pouco de veneno à sua comida todos os dias...

É o que empresas, agronegócio e empresas de captação e venda de água estão fazendo...


Como nos relatórios da PG&E, ou da Du Pont, os dados  do Mapa da Água estão aí para quem quiser ver...


Certamente alguém, contaminado pelos interesses econômicos (desculpem o trocadilho), lhes dirá que não tem jeito, como fazer para resolver um problema sem onerar este sistema?


Ora, ora, ora, senhores...


Se de fato houvesse presidentes, governadores, prefeitos, parlamentares, procuradores municipais, promotores, órgão de fiscalização, entidades de classe, enfim, se houvesse sociedade civil e entes públicos e estatais dispostos a enfrentar a questão, a solução é óbvia:


- Responsabilizar civil e criminalmente toda a cadeia produtiva e econômica vinculada ao uso de água e despejo de rejeitos tóxicos no ambiente, como agro negócio, empresas de fertilizantes e agrotóxicos, empresas de saneamento, gerando valores indenizatórios e tributações específicas para arcar com os elevadíssimos custos do tratamento de pessoas envenenadas e para prevenção e correção dos níveis de contaminações futuras!!!!!


Não enxergo ninguém, seja na direita ou na esquerda, seja o Prefeito Wladimir Garotinho, sejam seus desafetos na Câmara de Vereadores, ou sua base de apoio que sejam capazes de enfrentar este problema com, digamos, o básico: coragem...


Não, não vejo...


Até porque, Vossas Excelências, ao contrário de boa parte de nós, mortais (e com nossa água, cada vez mais mortais), podem pagar água mineral...

Eu acho que ficaremos à espera de algum filme, algum herói improvável...algum tipo de ilusão dramática e trágica, como Chagas Freitas se banhando no Paraíba do Sul...




quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Passes curtos...

 Em 04 de agosto de 2021, eu escrevi algo assim:

"Dados...

Sou claudicante com os números, e por isso os submeto ao escrutínio geral...
Se eu estiver errado, corrijam-me:
Alguns números para reflexão sobre Campos dos Goytacazes, e as políticas de enfrentamento da Pandemia.
População nacional estimada pelo IBGE, aproximadamente 215.000.000.
Mortos pela Covid no Brasil, aproximados 550.000.
População de Campos dos Goytacazes, 500 mil aproximados.
Número de mortos na cidade: 1500.
A taxa percentual de mortos nacional é de 0,25 %.
A taxa percentual de mortos em Campos dos Goytacazes é de 0,3%.
A relação percentual da população campista em relação à nacional é da ordem de 0,23%, ou seja, Campos dos Goytacazes representa 0,23% do total de habitantes do Brasil.
A taxa de percentual de mortos em Campos dos Goytacazes pela Covid em relação ao número de mortos no Brasil é de 0,27%, ou seja, Campos dos Goytacazes teve 0,27% de todos os 550 mil mortos no Brasil, apesar da cidade contar com 0,23% (500 mil habitantes) do total de 215.000.000 de habitantes.
Conclusões:
A taxa de mortalidade em Campos dos Goytacazes de 0,3% é 40% maior que a taxa nacional 0,25%, já que a diferença absoluta é de 0,05%.
Quando analisamos os números de mortos na cidade na razão de seu peso populacional em relação ao todo demográfico nacional, a desproporção também ultrapassa os 30%.
Em resumo: morar em Campos dos Goytacazes lhe dá 40% a mais de chances, na média, de morrer de Covid, ao mesmo tempo que podemos considerar que este risco também se confirma quando comparamos a população da cidade e do país, quando os mortos ultrapassam em mais de 30% o peso relativo da cidade na demografia geral."

Pois bem, pois bem...

Ontem, para minha surpresa, quando a média de infectados chegou a mais de 180 mil pessoas (algo três vezes mais que no pico anterior da pandemia), e quando a média de mortos ultrapassou 600 pessoas (o maior número desde setembro de 2021), o Prefeito de Campos dos Goytacazes disse que a cidade "NÃO ENTRARÁ EM LOCKDOWN"!

Como eu já disse, eu tenho profundo respeito pelo alcaide da cidade, e uma enorme esperança que ele possa ser, de fato, quem ele nos faz acreditar que é: uma pessoa comprometida com sua terra, e com seus cidadãos...

Por outro lado, eu também já disse na Carta Aberta ao Prefeito de Campos dos Goytacazes que o mandatário parece um capitão sem tripulação, um Zico sem Adílio, Leandro, Júnior, Mozer, Andrade e outros, enfim, está isolado no deserto de competências da sua equipe...

Sim, porque só isso justifica que um prefeito que detenha os números que citei acima, possa vaticinar que NÃO TERÁ LOCKDOWN!!!!!

O prefeito, como vemos, não tem um cérebro ao seu lado para lhe dizer como as coisas estão!

Claro que cabe ao prefeito ufanar otimismos, e não deixar o ânimo cair...este é o papel dele!

Mas quem dentre seus auxiliares e apaniguados fará o papel do chato, do impertinente, para dizer as verdades inconvenientes, e assim poupar o prefeito de "ir longe demais" no otimismo?

Eu acredito que quando a autoridade máxima eleita na cidade diz uma coisa destas, ele já se consultou com seus oráculos!

Será que apenas servem para dizer amém estes técnicos?


Vamos fazer outras continhas:

O Brasil tem hoje 79% de pessoas com uma dose de vacina, quase 70% de pessoas com esquema vacinal completo (duas doses), e 20 e poucos por cento de pessoas com reforço...

Ou seja, temos algo em torno de 30% de pessoas sem nenhuma cobertura vacinal, sendo que parte deste contingente será atingido com a vacinação de crianças entre 05 e 11 anos.

Mesmo assim, a base de proliferação da variante mais recente, a Ômicron, é de 30% de pessoas do país...

Ora, se mesmo neste contingente reduzido de 30% de pessoas sem qualquer dose, a cepa do vírus esteja se reproduzindo e infectando com esta velocidade e alcance, com mortalidade retornando à casa dos 600 óbitos/dia, como explicar que o país inteiro não esteja se preparando para o pior, e mais, não estejam já em vigor as medidas de afastamento social e reclusão?

Alguns dados mostram que esta (nova) omissão é ainda mais criminosa que a anterior:

a) Nos países onde a variante Ômicron eclodiu primeiro, ou onde se imagina que isso tenha acontecido (sul da África e Europa), a onda de infecções se projetou ao máximo e declinou em um mês, justamente porque foram adotadas medidas rígidas de contenção social;

b) No Brasil, a Ômicron já ultrapassou este lapso de tempo, e parece indicar que o ápice de infecções e mortes esteja por vir...

Há outro perigo no caminho...

A imonugenicidade dos vacinados com duas doses, e parte dos que tomaram dose de reforço em outubro do ano passado começa a cair, deixando-os sujeitos às formas mais graves de desenvolvimento dos sintomas!!!

Pergunta-se:

Para que serve a Secretaria de Saúde de Campos dos Goytacazes?

Para que servem os responsáveis pelas respostas sanitárias da cidade à pandemia?

Até quando o Prefeito vai deixar seu time seguir fazendo gols contras?


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Carta aberta ao Prefeito de Campos dos Goytacazes!

 

(sobre transportes públicos, setor canavieiro e outras questões)

 

Vossa Excelência não me conhece, por certo, e nunca tivemos a oportunidade de um colóquio...

Por esta razão, penso que alguma formalidade é sempre necessária...

Assistindo de (um pouco) longe seu primeiro ano de administração fica uma sensação estranha...

Impossível não se encantar com o estilo do atual prefeito, remontando em memória afetiva os traços carismáticos de seus pais (principalmente do pai)...

Em metáfora futebolística (e rubro-negra), o atual prefeito é a estrela da companhia em matéria de comunicação dos seus atos de governo, enfrentamento da oposição (neste caso, tarefa facilitada pela indigência intelectual ou completa irrelevância deste campo político)...

No entanto, me perdoe Vossa Excelência, sua atuação parece isolada, para quem lembra do fiasco:

"pior ataque do mundo, pior ataque do mundo, para um pouquinho, descansa um pouquinho, Sávio, Romário, Edmundo" (uma brincadeira com uma propaganda da Gol Linhas Aéreas com as inúmeras escalas e conexões dos concorrentes, na época)...

Aqui a propaganda, se Vossa Excelência gostar destas arqueologias digitais:

Propaganda da Gol Linhas Aéreas/1995

Sim, Vossa Excelência parece perdido em meio a um bando de pernas-de-pau...Um Sávio que tinha como cabeças-de área (e de bagres) um tal de Fabinho e Charles Guerreiro (alguém se lembra deles? pois é...)

Eu não quero crer, como dizem as más línguas, que o senhor está capturado por alguns setores "sanguessugas" e pelo que os representam em seu governo, deixando Vossa Excelência incapaz de dar ordenamento ("colocar a bola na relva") à administração pública por conta de inúmeros acordos e compromissos políticos assumidos...

Isso não é nada demais..

Todo mandatário que senta na cadeira de prefeito de uma cidade de 500 mil habitantes, mais de 2 bilhões de reais de Orçamento, e do interior de um estado que está entre os três mais importantes da Federação tem que fazer acordos, tem que sonhar e repetir as trajetórias dos pais (governadores), e por quê não dizer, sonhar mais alto?

Todo mandatário de Vosso quilate e herança tem que tolerar alguns imbecis pelo caminho, claro...

Mas não é a prática política ou os acordos políticos que cassam sua capacidade de governar...

Penso, me desculpe, que é justamente o contrário: a sabedoria da coisa é conseguir governar "apesar" deles...

Não é o que tem acontecido...

Ouso pensar Vossa Excelência soterra (ou tenta) com ampla exposição em mídias sociais e pronunciamento ("governança direta") a incapacidade de pensar de seus assessores mais próximos, ou talvez o medo deles de disputar com Vossa Excelência um naco de luz dos holofotes que lhes são direcionados...

O máximo que Vossa Excelência tem conseguido, no meu raso entender, é uma imobilidade barulhenta...

Não são os acordos, repito, nem sua inclinação a cortejar o espantalho fascista, que serve ao mercado parasito-financeiro, e sua plêiade de hienas e chacais da tecnocracia e peçonhentos do centrão...

Nada disso..

Lula está aí para provar que todo acordo é possível, mesmo depois de golpeado, atacado, perseguido e preso, ele estende a mão ao representante da pior (se há alguma que preste, diga-se) facção da Igreja Católica (Opus Dei) misturada com o capitalismo paulista, que tem bichos nos pés, mas se imagina sócio de Wall Street...

O picolé de chuchu é um dos ícones restantes do partido que pariu o golpe de 2016...

Vossa Excelência tem direito a escolher os atalhos que julgar mais eficazes, por certo, e sempre em tempo, reavaliar seus caminhos...

Vossa Excelência só não tem direito a se render à mediocridade...

Veja, Vossa Excelência o caso do transporte público...

Todos os sinais apontam, gritam berram que em breve, se nada for feito, teremos o domínio completo (porque já existe algum, por certo) de grupos organizados criminosos (milícias) do setor de transporte, diante da total desintegração do setor...

Não há saída negociada, e em breve, não haverá saída alguma...

Macaé e Rio das Ostras, cidades-irmãs, e primas de Campos dos Goytacazes na maldição dos royalties (doença da opulência) experimentaram eventos violentos em suas ruas, dignas dos filmes de Far West, com tiros e mortes à luz do dia pelas ruas daquelas cidades...

Nem vou ser mais sombrio e citar a capital do Estado, e suas regiões metropolitanas...

O setor privado de transporte NÃO DEU RESPOSTA AO PODER CONCEDENTE (AS PREFEITURAS), para dotar de soluções viáveis a execução de um serviço decente, eficaz e com preço razoável...

Receberam rios de dinheiro do programa de subsídio de passagens (1 real)...Nada deram em troca...

É mentirosa a versão de que foi o transporte complementar ("vans") e o transporte pirata ("lotadas") sangraram o setor, já que mesmo quando havia forte aporte de dinheiro nos cofres da empresas, o péssimo serviço, e injustificado, abria espaço para estas alternativas parasitárias...

É verdade que o capitalismo periférico e esmolambado brasileiro, como todo de mesma cepa, tem parte da responsabilidade do problema (uma boa parte, é bom dizer), porque empurra os pobres para cada vez mais longe, e os torna dependentes de transportes caros e ineficientes...

Hoje, não há mais jeito, senão estatizar todo o setor, adquirir veículos em leasing, ajuizar a ações para responsabilizar os donos de empresas pelo não cumprimento do objeto das concessões, realizar concurso público para contratação, via empresa pública, de motoristas, cobradores e demais funcionários em regime celetista, além de criar aplicativos de controle do fluxo de passageiros e de funcionamento das linhas, e enfim, a instalação de GPS nos veículos para fiscalização e controle...

E claro, aumentar os tributos das empresas cujos empregados usam o transporte, ou fazer com que paguem a maior parte das tarifas...

Depois, se for o caso e do interesse público, vender esta estrutura a quem se interessa em explorar o serviço, recuperando o investimento público, seja com amortização direta do investimento público, seja com a amortização indireta no preço das passagens...

O caso das empresas de transporte público é muito parecido, Vossa Excelência, com o setor canavieiro...

Com uma pequena diferença: ao contrário do transporte, não se trata de um setor vital à nossa região, e apesar da enorme propaganda (o que nos alerta ainda mais para o nanismo econômico do setor), é certo que esta atividade econômica já estaria extinta faz décadas, caso não estivessem agarradas em verbas públicas, na forma de incentivos diretos (fundos), renúncias fiscais, e como hoje sabemos, em alguns casos, falcatruas tributárias...

Porém, se Vossa Excelência quer, de verdade, gerar empregos e dinamizar a lavoura e a (quase)indústria canavieira, municipalize uma cooperativa, organize-a em modos justos de partição de lucros e prejuízos, produza energia de biomassa (eletricidade), com fornecimento de álcool para frota de serviços públicos (ônibus, táxis, veículos da Prefeitura, Estado, e União) a preços de custo, e para os demais consumidores residentes na cidade, com preços mais baratos do que os praticados pelo mercado...

Remunere as Universidades e seus laboratórios de biotecnologia, agronomia e outras ciências vinculadas para pesquisa e criação de novas maneiras de cultivar com menor impacto ambiental (consumo de água, por exemplo)...

Agregue os pequenos agricultores do MST e outros pequenos proprietários...

Enfim, desafie a realidade, Excelência, não seja engolido por ela...

Rogo que Vossa Excelência ouça meus apelos...


Atenciosamente...














quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Quem não se comunica...

 Faz bastante tempo que não uso esta plataforma aqui...cansaço mesmo...

Descrença total de que escrever faça alguma diferença, e ao mesmo tempo, falta de forças até para desabafar...


O recente quiproquó envolvendo as verbas do Fundeb, a administração municipal de Campos dos Goytacazes, e o movimento dos profissionais da Educação daquela cidade me pegaram em um daqueles dias que, se eu fosse mulher, eu diria que é TPM...

Deu vontade de falar (escrever)...

Então lá vamos:

Primeiro, é claro com um dia de sol no Saara que as vozes e cabeças do governo municipal de Campos dos Goytacazes não se entendem, desde a "cabeça" propriamente dita, personificada na figura do prefeito até seus auxiliares...

Desejo profundamente que seja apenas um problema de sinais trocados, mas pelo que me ensina a idade (é a única coisa positiva em envelhecer) é que tais desentendimentos, geralmente, revelam problemas maiores...

Torço para que não, como já disse...

Andei olhando a legislação do FUNDEB, é pude verificar que o troço é meio complicado, e fica pior para leigos (como eu)...

Era de se esperar que a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, que tem a frente um dos prefeitos mais comunicativos do Brasil, herdeiro político do casal que fez (e faz) seu legado a partir de uma plataforma de comunicação, o rádio, soubesse veicular notícias sobre uso de verbas públicas, direitos e rateios de forma límpida e cristalina, sem deixar margens à dúvidas, e pior:

- Sem ser desmentido por uma auxiliar, que disse em todas as letras (apressadas?) de uma rede social que o rateio dos valores excedentes do FUNDEB era um boato ("fake")...


Pois bem...pois bem, pois bem...

Vamos tentar entender, pela letra fria da Lei 14276:

"(...)II – profissionais da educação básica: docentes, profissionais no exercício de funções de suporte pedagógico direto à docência, de direção ou administração escolar, planejamento, inspeção, supervisão, orientação educacional, coordenação e assessoramento pedagógico, e profissionais de funções de apoio técnico, administrativo ou operacional, em efetivo exercício nas redes de ensino de educação básica;

...................................................................................................................................................

§ 2º Os recursos oriundos do Fundeb, para atingir o mínimo de 70% (setenta por cento) dos recursos anuais totais dos Fundos destinados ao pagamento, em cada rede de ensino, da remuneração dos profissionais da educação básica em efetivo exercício, poderão ser aplicados para reajuste salarial sob a forma de bonificação, abono, aumento de salário, atualização ou correção salarial.” (NR)


“Art. 26-A. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão remunerar, com a parcela dos 30% (trinta por cento) não subvinculada aos profissionais da educação referidos no inciso II do § 1º do art. 26 desta Lei, os portadores de diploma de curso superior na área de psicologia ou de serviço social, desde que integrantes de equipes multiprofissionais que atendam aos educandos, nos termos da Lei nº 13.935 de 11 de dezembro de 2019, observado o disposto no caput do art. 27 desta Lei.” “Art. 41.

(...)"

Em suma: 

Se no fechamento das contas, houver repassado e não utilizado pelos gestores no pagamento dos professores, estes valores DEVEM ser repassados sob a forma de abonos, gratificações e/ou aumentos de salários (reajustes).

Já os outros 30% restantes poderão ser usados, caso haja folga de caixa, para pagar outros profissionais de que a Lei trata.

Parece fácil não é?

Os dados que recebi e que circulam na internet são do vereador Maycon Cruzz:





Afinal, tem ou não tem dinheiro sobrando?

Outra coisa que me incomoda diz respeito à mobilização da categoria...

Quem me conhece sabe que eu nunca seria contra manifestações desta natureza...

De verdade, o que eu estranho é o TOTAL SILÊNCIO DOS PROFESSORES e demais profissionais do setor no governo anterior, (do neto do amigo preferido do Salen Rod aquele personagem que pichava pelas paredes da cidade "elogios" ao rei do melado)...

Eu não seria leviano de inferir que o silêncio se dava porque uma das diretoras sindicais foi subsecretária de Educação daquele nefasto governo...não, eu não, mas há quem diga...

Enfim, se o governo atual, de posse de todos os instrumentos de acompanhamento e controle dos recursos, não consegue elaborar um discurso único sobre o tema, eu pergunto enfim:

- Como responderão quando alguém perguntar se houve inclusão indevida de profissionais no rol de habilitados a receber dentro da sub vinculação de 70%, naquilo que os mais otimistas chamam de "contabilidade criativa"?

Por onde anda o Conselho Municipal de Educação?

Qual é a posição do secretário da Educação?


Temas para reflexão:

I) Um problema crucial destes tempos de rede social e de polifonia de comunicação é a incapacidade de governos em centralizar um discurso.

II) A comunicação é um dos calcanhares do governo campista, salvo pelas iniciativas pessoais do prefeito...

III) No entanto, recorrer ao mito da "onipresença" e "onisciência" é arriscado demais, pois retira do prefeito a autoridade para funcionar como última instância de mediação e resolução dos conflitos surgidos nos processos políticos e de comunicação...já que o prefeito sempre tem que falar primeiro...






quinta-feira, 22 de abril de 2021

Fiat Lux: como um ato imperial pode iluminar os amigos!

Por ordem de Sua Majestade Imperial, Wladimir Ulianov, I, O Imprudente, aos Vinte e Dois Dias do Mês de Abril do Ano de Dois Mil e Vinte e Um, faço a todos os súditos do Reino Unido da Terra Plana, a planície goytacá, e a todos aqueles que aqui estiverem, que a partir desta data, revogados todos os atos em contrário, passará a vigorar este ato régio, conforme seus Artigos e dispositivos que seguem:


Artigo 1º

Este ato se destina a regular as novas diretrizes para a contratação de serviços e bens públicos pelo Tesouro Real, e especificamente aqueles dedicados ao trato da Iluminação do Paço Real, das serventias da Corte e dos Feudos unidos a este Reino, desde a fronteira norte, com os selvagens capixabas até o sul limitado pelas terras capitaneadas pelo Barão de Quissamã, e todos os demais marcos geográficos onde se confirmam as possessões de Sua Majestade Real.

§ 1º - Ficam suspensos todo o bom senso, a moralidade, a economicidade, a boa-fé, e todos demais princípios dos atos administrativos, e por fim, o zelo com o Erário, diante da emergencial necessidade de atender aos interesses dos fiéis cruzados empresariais que lutaram ao lado de Sua Majestade Imperial durante a sangrenta luta eleitoral contra os infiéis e bárbaros clãs dos MacBacellarius e associados;

I- Contratos licitados pelo Pregoeiro-mor anterior (que deve ser decapitado), mesmo que porventura ainda vigorem, serão substituídos por outros de maior valor, cujos processos devem ser simplificados ao máximo, mesmo que se trate de mesmo serviço e bens em igual quantidade, sendo certo que se não há justificativa para tanto, bastará apenas a Sacra Vontade de Sua Majestade;

II- Serão considerados inimigos reais todos aqueles que ousarem questionar os termos deste ato e levados às barras da Sagrada Ordem da Inquisição da Lapa;

III- Os casos omissos serão decididos em Actus Inquisitorium, cujas decisões finais caberão a suprema e indiscutível sapiência de Sua Majestade e seu conselho de nobres.

Divulgue-se, publique-se e CUMPRA-SE.

Fiat Lux (Faça-se a luz)!


quarta-feira, 21 de abril de 2021

Wladimir, o indeciso: no topo do mundo!

 


Lei Imperial Tibet(*).

Aos Vinte Um Dias do Ano de Dois Mil e Vinte e Um da graça de Nosso Senhor, nas terras sob o Imperium de His Royal Majesty Wladimir Ulianov I, o indeciso, saibam todos e a todos faço saber por esse edital, que publico por ordem da Sua Majestade, que:

A partir desta data, revogando todas as certezas em contrário, a cidade imperial de Campos dos Goytacazes e seus fiéis súditos e todos aqueles que aqui estejam, ainda que de passagem, estão proibidos de dizer que os índices de mortalidade, de internações e infectados pelo vírus covidus orientalis  estejam em curva ascendente;


Artigo 1º.

§ 1º- Todos os conceitos e teorias sobre a realidade da doença nas terras de Sua majestade passam a ser definidas como mentirosas, salvo nas condições expressas abaixo:

I- A atual situação está sob controle de Sua Majestade e sua competente equipe;

II- As doses usadas por orientação dos Sumos Sacerdotes do Evangelho do Bolsofagismo, que deveriam ser usadas como reserva de segunda dose não serão mais necessárias no tempo previsto pelos hereges e infiéis cientistas dos laboratórios profanos, que a partir de hoje são declarados para efeitos do Inquisitorum Libelum como "bruxos", sujeitos à morte na fogueira de algoritmos;

III- Não há pessoas na fila de espera por leitos, há um processo necessário de desospitalização da doença, que Sua Majestade em sua infinita sabedoria, grandeza e bondade resolveu instalar;

IV- Não há mortes causadas por incompetência, e sim God Acts (Atos de Deus), que Sua Majestade e sua Corte, com enorme sacrifício de suas consciências, aceitam cumprir como faz o Arcanjo Gabriel desde tempos imemoriais;

V- O comércio, a economia, os restaurantes e academias são as razões de Estado de Sua Majestade, pois se é mais fácil um camelo passar em uma agulha que um rico entrar no reino dos Céus, como terá recursos Sua Majestade para construir "agulhas" nas rodovias para que possam ali transitar os camelos dromedários?


(*) - Como a curva de infecção e mortes se "estabilizou por cima", Sua Majestade em sua infinita sabedoria achou por bem de "apelidar" este régio ato como "Tibet", alto e com ar escasso.

De cara nova, mas o mau cheiro de sempre!

 Nosso novo nome para este blog tem dois objetivos:

O primeiro é auto-explicativo, ou seja, a gente não vai mais dourar a pílula, pois não dá para viver na merda e tentar disfarçar com perfume francês.

Aliás, não temos dinheiro hoje nem para Leite de Rosas.

Como uma flatulência mal cheirosa, daquelas que emanamos depois de três horas de rodízio de carne bovina, com sobremesa de sorvete de chocolate com calda de doce de jenipapo, nosso objetivo é avisar que a merda está por vir...

Já o segundo objetivo, e por assim dizer, subsidiário, é encerrar esta fase pandemia, já que o descaso, a incompetência, tudo "arrumado" dentro da lógica genocida e "evolucionista" do capitalismo, que reserva as melhores chances de sobrevivência aos mais ricos, enquanto pobres vão para o esgoto, parecem ter criado uma certa "imunidade" à realidade.

Isto é, nos acostumamos com mortes, 370 mil ou muito mais, considerando que os chamados "números oficiais" são comprovadamente e criminosamente mascarados pelo "delay" estatístico, nos acostumamos com falta de insumos, pessoas sufocando, ataque às redes de proteção social, "teto de gastos" ( nosso Auschwitz orçamentário), etc, etc, etc.

Então, seguindo a "manada", vamos fingir que tudo isso é "assim mesmo", e vamos "superar".

Afinal, como o conceito genial de um roteiro de um filme da Netflix, que assistia ontem ou anteontem com minha esposa, cujo título está aí embaixo:

"O pensamento é a coisa mais próxima da realidade, porque você pode fingir palavras ou gestos, mas você não consegue fingir o que pensar".



Talvez seja isso...

Já que na era da geração dos imbecis das consoantes ("kd", "vc", "tb", "msm") a atividade de pensar parece cada vez mais rara, talvez este "excesso de realidade" tenha nos afastado da "verdade" dos nossos pensamentos...

É isso!

O "excesso" de gestos e falas que nos assolam e nos soterram como uma avalanche de fatos nos impedem de refletir, e por isso a "realidade" é tão fake hoje em dia...


Este "novo" blog é uma manifesto a mais pessimismo, mais silêncio, mais reflexão...

Pois o único jeito de ser feliz é sendo burro...e na era da ditadura das individualidades e da busca pela "felicidade obrigatória", só a "tristeza" nos salvará da burrice contente e orgulhosa de si mesma!

"deus acima de todos"...(risos nervosos)...

Bem-vindos, e lembrem-se:

O otimista acha que está tudo uma merda, já o pessimista tem certeza de que a merda não dará para todo mundo... 





segunda-feira, 12 de abril de 2021

quinta-feira, 8 de abril de 2021

A volta na planície em 98 dias.

Com as devidas licenças e escusas a Julio Verne, o célebre autor de "A Volta Ao Mundo Em 80 Dias", tomei emprestado parte do título para dar uma dimensão aos poucos leitores e leitoras deste texto dos percursos e caminhos simbólicos e reais percorridos pelo atual Prefeito da cidade de Campos do Goytacazes.

Muita gente vai esperar os 100 dias.

Como não tenho muito talento para a coisa, decidi chamar à atenção escrevendo antes, ou, "onça que acorda cedo, bebe água mais limpa".

Pois bem, introduções feitas, vamos à vaca fria.

É preciso dividir a análise em duas, para depois, ao fim reunir novamente.

Desnecessário falar sobre a Dinastia Garotinho no cenário histórico recente da política regional e local, e quiçá nacional, para o bem ou para o mal.

No entanto, nenhuma consideração ou teoria séria sobre o desempenho do herdeiro deste legado político poderá se afastar muito da influência que seus pais têm sobre ele.

Tenho observado com especial atenção ao jeito do atual Prefeito, e sua aparente tentativa de estabelecer uma divisa drástica com a fracassada administração anterior, ao mesmo tempo que busca fazer a todos crerem que não é uma repetição dos seus pais, ou melhor dizendo, não é a volta da roda da História.

Por óbvio que isso seria impossível, mas o fato é que o atual Prefeito tem procurado estabelecer pontes ou recuperar aquelas rompidas pelo desgaste natural do projeto político de seus pais, e nisso também eu contrabandeio uma psicologia de botequim ao dizer que me parece que o atual Prefeito buscar romper com esta identificação política com seus pais, porém ao mesmo tempo, e paradoxalmente, precisa dela, pelo menos enquanto não tiver a sua imagem própria.

Aí que mora o perigo desta jornada de quase 100 dias, esta volta ao "pequeno mundo de Bob", a planície.

O atual Prefeito é parte de sua geração, conectada, individualista, com pouca leitura, ou com leitura de pouca densidade, salvo raras e honrosas exceções.
Esta geração se comunica por um dialeto entrecortado de imagens ("emojis") e contrações gramaticais ("vc", "kd"), afeita à superexposição, de respostas e atos instantâneos e, algumas vezes, irrefletidos, superexcitados e com tendências ao desânimo profundo.

Este corte geracional é fruto do derretimento das esferas públicas de sociabilidade, do fim do capitalismo como sistema de organização econômica, e ao mesmo tempo, da sua ordem política de representação.

É a geração do fim do mundo como o conhecemos, e da ditadura da individualidade.

É tudo ao mesmo tempo agora!

Montar um capital político dentro deste contexto não é algo fácil, ainda mais em meio a pandemia, que pode ser colocada como o maior evento histórico deste início de século, e dentre os mais importantes da Humanidade em todos os tempos.

A oscilação do atual Prefeito com relação às suas responsabilidades diante do quadro sanitário de catástrofe, ora parecendo que vai endurecer e agir como gestor público, ora pendendo para ceder às pressões dos necro-comerciantes, ou melhor dizendo, os mercadores da morte, é em parte fruto de sua compreensão geracional de mundo, além, é claro, de seus compromissos e interesses políticos.

Eu torço muito para que tais interesses se alinhem à esquerda, embora eles pareçam muito com o viés liberalismo-popular-evangélico praticado por seus pais, com algumas modernizações de estilo.

O pânico da impopularidade, o receio de "desgostar" a todos, ou pior dizendo, a tentativa ingênua de querer agradar a todos, a incompreensão (confusão) do significado de um gesto democrático do diálogo, e assim de entender a impropriedade de chamar ao debate quem não poderá contribuir com mais nada que seus próprios mesquinhos interesses, é resultado desta inexperiência geracional.

Este "assembleísmo" nunca trará soluções e conforto político, porque o dilema ali debatido é falso, pois não há economia sem gente viva, e porque neste caso de suprema emergência, o poder público não pode perguntar o que fazer, ele tem que saber o que fazer, e fazer, ponto final!

Se errar ou acertar, assuma e aceite as consequências, mas a "terceirização" do risco não cabe neste contexto trágico que a cidade vive, e principalmente porque o setor dos mercadores da morte não vai assumir nenhum ônus quando os corpos estiverem dispostos nas ruas, como aquele cenário deprimente do Equador (Guayaquil), no ano passado.

Aqui esta viagem de 98 dias pela planície faz uma inflexão do campo pessoal-político do Prefeito para o campo geral de análise.

Tudo isso que dissemos aí em cima está mergulhado no cataclismo mundial trazido pela hegemonia brutal das finanças sobre a realidade produtiva.

A gestão das cidades é um micro-universo que nos revela que não há saída próxima, e talvez nenhuma saída possível.

Os orçamentos públicos estão estagnados em um círculo, ou quem sabe uma espiral, quando os setores produtivos não conseguem responder para gerar emprego e renda, e por conseguinte, tributos, demandando mais e mais os parcos recursos públicos, que se esvaem dia-a-dia, trazendo para o ralo o tecido social.

Por certo a pandemia agravou o quadro e acelerou seus efeitos, no entanto, o cenário já nos rondava há tempos.

Não há mais pactos "sub-keneysianos" possíveis para o capitalismo de periferia onde estamos.

Aquilo que chamavam de democracia, e nunca foi de verdade, porque nunca deu chance a qualquer projeto político que ousasse alterar os rumos do capitalismo, esta encenação representativa virou uma arena de ruídos, onde todos gritam e ninguém apresenta nenhuma razão!

Ou seja, se a "democracia" era algo falso, mas tolerável, o que vivemos hoje é insuportável e incapaz de solucionar os embates que vêm por aí, restando espaço apenas para soluções de força.

Não há mais dinheiro "novo", só há dinheiro, e ele está concentrado nas mãos do 1% dos ultra-mega-super-ricos do planeta, que reúnem a riqueza maior que a acumulada pelos 99% restantes.

Dentro deste 1% de super ricos, 10% deles acumula mais da metade da riqueza dos outros 90% dentro desta camada destes super ricos.

Nenhum arranjo tributário hoje consegue alcançar politicamente e economicamente este patamar de concentração.

O resultado?

A tempestade perfeita, tudo em nanosegundos, ao vivo, em rede neural universal, onde cada unidade pessoal (ser humano) é uma bomba relógio de frustrações e de demandas sem perspectiva de qualquer futuro.

Como cantou Gilberto Gil: "antes mundo era pequeno, porque terra era grande".

Parabolicamará.

Antes mundo era pequeno
Porque terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará
Volta do mundo, camará
Mundo dá volta, camará
Antes longe era distante
Perto, só quando dava
Quando muito, ali defronte
E o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará
Volta do mundo, camará
Mundo dá volta, camará
De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava Rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar
Volta do mundo, camará
Mundo dá volta, camará
Esse tempo nunca passa
Não é de ontem nem de hoje
Mora no som da cabaça
Nem tá preso nem foge
No instante que tange o berimbau, meu camará
Volta do mundo, camará
Mundo dá volta, camará
De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De avião, o tempo de uma saudade
Esse tempo não tem rédea
Vem nas asas do vento
O momento da tragédia
Chico, Ferreira e Bento
Só souberam na hora do destino apresentar
Volta do mundo, camará
Mundo dá volta, camará
Volta do mundo, camará
Mundo dá volta, camará
Volta do mundo, camará
Mundo dá volta, camará
Volta do mundo, camará
Mundo dá volta, camará









 

quinta-feira, 11 de março de 2021

A era do fim das coisas como serão!

Nos últimos meses, melhor dizendo, nos últimos anos, uma boa parte da teoria das ciências sociais, políticas tem se dedicado a entender este momento que parece ser o de uma transição do capitalismo como forma de organização social produtiva, que tem por base a acumulação pela expropriação da mais-valia extraída do trabalho adquirido através da remuneração salarial.

Neste grupo de pensadores, o destaque é, na minha opinião, para um bom time de geógrafos, que parecem ter saltado à frente da anemia intelectual dos historiadores, sociólogos, antropólogos e cientistas políticos.

Talvez na esteira do David Harvey, o geógrafo britânico um dos maiores entendedores do que se passa no mundo hoje.

Não citei economistas de propósito, pois os considero como meros charlatães, um tipo de "parapsicólogos sociais", tão desprezíveis quanto inúteis em sugerir narrativas, ao mesmo que tentam em desespero torná-las reais com seu suposto dialeto, o econômes.

Não sabemos se esta "hegemonia da Geografia" se dá porque o fim do capitalismo, que é um sistema produtivo que se organiza tendo o locus (espaço) como um dos pilares, indica que sua próxima fase prescindirá em muito desta premissa espacial (da geografia do capital pelo mundo).

Mas o fato é que os geógrafos estão na crista da onda, e procuram nos fornecer bases teóricas robustas, com ênfase na atualização do pensamento marxiano, que apesar de reconhecidamente não resolver todos os nossos problemas (e nem pretendia, diga-se), ainda é o mais atual e agudo modo de entender a realidade capitalista que dispomos. 

Muito se fala hoje em "capitalismo de dados", "capitalismo de vigilância", "capitalismo financeiro", etc.

Me parece, com toda minha ignorância intelectual, fundada em meu total desprovimento acadêmico, que a corrida é para dar antes um nome para chamar de seu, garantindo loas à vaidade pessoal da primazia da nomenclatura, deixando de lado a necessidade de real entendimento do que se passa.

É um desejo legítimo, porém inútil, porque a vaidade, sabemos, é a mãe de todos os pecados capitais.

Há muito tempo atrás, acho que eu tinha uns 17 ou 18 anos, nosso debate era se o período compreendido entre o fim do feudalismo e o início do surgimento das cidades (burgos), criadas  a partir de acumulação primária dos excedentes comerciais (rotas das especiarias, mercados locais, etc) e das inovações tecnológicas, poderiam ser chamadas de capitalismo mercantil ou pré-capitalismo.

Uma grande asneira, que nos subtraiu a compreensão em perspectiva histórica de um grande flagelo que foi justamente o responsável, isto é, como mola mestra indispensável a acumulação de riquezas para a fase industrial que se seguiria: a escravidão africana.

Como boa parte das escolas de pensamento vinha da Europa, havia uma espécie de consenso-de-negação de que as vantagens competitivas deles na geopolítica do capitalismo de então e até hoje eram resultado da imposição deste suplício africano.

Este assunto jamais foi tratado como devia, dando-nos a entender que o capitalismo era algo que só poder ser considerado como fruto da explosão industrial, que por suas vezes era a consequência de combinação daquilo que Harvey chama de condições essenciais do capitalismo (acho que são sete ou oito, não me lembro), dentre as quais destaco os recursos naturais, inovações tecnológicas, ambiente propício (locus,  já que naquele tempo, mais do que hoje, o que determinava o sucesso ou insucesso de empreitadas era a proximidade com portos e entre centros produtores e mercados, etc).

Bem, creio que ninguém duvida de que qualquer forma de organização social e dos meios de produção não prescinde de gente.

No entanto, essa assertiva não nos garante que será sempre assim.


A despeito da minha ranzinice com este pessoal que advoga a tese do "capitalismo de vigilância ou de plataformas", não deixo de reconhecer que ali há alguma construção teórica a ser aproveitada, embora falte perspectiva histórica ampla e mais conhecimento de Marx, ou de Harvey, ou de outras contribuições preciosas, como a de Kurz (Robert) e sua escola da Crítica do Valor.

Há também os que já enxergam os pressupostos da "escravidão digital", mas que bebem na mesma fonte de erros, ou seja, esquecem de ler o bom e velho Marx, na sofreguidão de herdar seu legado na elaboração teórica desta envergadura.

Como já disse, é uma pretensão válida, que tem se mostrado até aqui inútil.

Vou dar um pulo à frente, e depois volto aonde estamos.

O que estas escolas atuais parecem desconhecer é o componente humano aqui colocado, apesar de dizerem o contrário:

Se na transição feudalismo x capitalismo a força humana de trabalho escrava foi não só fundamental, como imprescindível à acumulação primária, persistindo até bem tarde nas franjas coloniais que ainda sustentavam parte do arranjo capitalista, é novamente agora a força humana escrava que dá sustentação a nova transição, onde a forma anterior de organização do trabalho deixa de ser relevante.

No feudalismo, as formas de assentamento da força laboral obedeciam os critérios rígidos da estrutura hierárquica de classes e nascimento (nobres, Igreja e não nobres), porém que permitiam aos servos uma fixação em seu ambiente (terra), e recebia como resultado parte do produzia, e tais excedentes em algum tempo foram tão significativos a ponto de criarem condições de escambo, que deram origem às cidades, ao dinheiro, sistemas bancários e as bases de lançamentos da aventura colonial.

Claro que esse processo que eu narro aqui não é uma linha reta, mas é fato que se nem todos os servos conseguiram juntar recursos e se tornaram burgueses, não podemos negar que como Marx descreveu, foram as contradições dentro do próprio arranjo feudal que ofereceram as condições de sua superação, sendo que o eixo principal do surgimento de nova etapa que os transportou até o capitalismo era a criação de uma brutal hierarquia entre os povos que se aproveitavam desta transição, e o gigantesco contingente de pessoas incorporadas a este processo como escravos e povos subalternos (colonizados), a quem pouco ou nada dos frutos desta acumulação eram permitidos.

O grande nó agora, é que o capitalismo atingiu um patamar tão alto em sua tarefa de acumulação, que concentra a riqueza nas mãos de um pequeníssimo grupo, distante dos demais por uma abissal desigualdade.

Novamente sua transição busca "novos escravos" para permitir que a mudança de uma Era para outra se dê sem que os ocupantes das camadas inferiores sejam os atores da superação das condições de exploração a que estão submetidos.

E quem são estes novos escravos?

Todos nós.

Explico:

A definição clássica de escravidão não nos servirá aqui, que consiste em termos rasos como a objetificação da mão-de-obra, associada a restrição ambulatória (impossibilidade de ir e vir), e ausência de remuneração constante pelo trabalho  (trabalho concreto), e portanto, impossibilidade de "escolher" para quem vender este ativo (força de trabalho), e enfim, sujeitos de direitos positivados no estamento e capazes de adquirirem bens e serviços produzidos por eles mesmos.

Porém, se sabemos que a "escravidão clássica" antes se dividia por uma escolha geo-étnica (africanos e nativos dos locais colonizados), a "nova escravidão" se define antes por classe social e pela geografia econômica Norte-Sul (por que não dizer, também geopolítica?).

Dentro dos arranjos nacionais e ao redor do mundo, são as classes pobres e assalariadas indispensáveis de antes, pois eram importantes como regulação de preços de estoque do trabalho, como exército de reserva como mão-de-obra, os novos candidatos perfeitos à condição de nova escravidão.

Na medida em que o PIB mundial da produção e desta "troca" capital x trabalho se esgota, onde o estrangulamento da acumulação capitalista via produção aponta dia-a-dia para uma avalanche global de "não-significação" do trabalho e da sua relação com um capital cada vez mais débil, o trabalho "livre e assalariado" caminha para "retornar" à forma de acumulação que prescinde dele nesta nova estrutura de acumulação.

Se na escravidão, a alienação em relação ao produto se dá antes da incorporação como trabalhador, mas garante a ele como "objeto-trabalhador" chances de manter-se vivo pelo interesse do seu dono em garantir o máximo de retorno ao investimento feito para adquirir este "objeto-trabalhador", na nossa atual "escravidão" esta alienação se dá pela total realização da super-expropriação e da redução da capacidade do trabalho em auferir alguma renda para escapar da mera subsistência, sendo que o "dono-patrão" pouco se importa com a tais condições, pois nada investiu, pois a força de trabalho ("objeto-trabalhador) não custou nada.

Nós que contamos mais de 40 anos, por certo nos lembramos que os equipamentos periféricos para os computadores pessoais (chamados de "desktops") apareceram por um preço proibitivo, até serem popularizados e horizontalizados a preços acessíveis.

Junto com esta diminuição de preços experimentamos o aumento brutal dos insumos (os cartuchos de tinta), que hoje custam tão ou mais caros que tais periféricos.

Este padrão se observa em todos os itens atuais, o que me levou a fazer uma brincadeira: vamos ter que penhorar o carro ao posto para comprar a gasolina.

Este chiste é uma representação fiel do nível que chegamos na organização econômica, onde adquirir os bens de consumo, e/ou os bens de capitais nos custará muito menos que os insumos necessários para fazê-los funcionar.

Outro exemplo: eletrodomésticos e o custo da energia, os preços dos tributos dos imóveis e sua manutenção (taxas condominiais) e o baixo custo dos alugueres que os remuneram, o acesso a tecnologia de telefones e o custo da internet para acessar as plataformas ali contidas, e por aí vamos.

Nestes tempos, há uma quase imperceptível alteração nestas esferas econômicas, onde nós somos sugados para nos transformarmos em ativos, quando nossas remunerações cada vez mais escassas nos impedem se exercermos escolhas que nos diferiam da "escravidão clássica" (para quem vender a força de trabalho, ganhar o suficiente para subsistir, escolher onde morar, etc), e que agora, vão nos igualando àquela condição que eufemisticamente chamam de "condição análoga à escravidão".

Junto, e como relação de causa-e-efeito, as formas institucionais de representação política antes aceitas como meios de pacificação de conflitos e de gestão dos  locus capitalistas,  parecem dissolver frente a frenética liquidez do ambiente político e dos chamados padrões e princípios de organização social.

Esta condição, que para nossa visão míope de classe média parece tão longínqua, é a realidade de 2 ou 3 bilhões de pessoas ou mais ao redor do planeta, e que tem com exemplo mais gritante o chamado "sucesso chinês", cantado e decantado em verso e prosa pelos nossos sacerdotes do mercado e da "mídia especializada" como exemplo, ao mesmo tempo que ignoram a contradição implícita com seus alegados discursos de "liberdade individual" e anti-Estado, já que a China é antes de tudo, uma ditadura rígida.

Não é exagero dizer que estes exércitos de autômatos (principalmente no Sudeste Asiático, mas também presentes em SP, o caso do bolivianos e haitianos) estejam em condições iguais ou piores que escravos africanos do Século XV em diante.

Não lhes falta nem a aplicação de castigos físicos, e talvez mais severos diante da antiga visão pragmática dos senhores coloniais de escravos, que mantinham seus melhores escravos em condições mais dignas que estes trabalhadores atuais, como forma de preservação de seu investimento em adquirir os negros.

Hoje, esta imobilização de capital para aquisição de escravos foi abolida, já que os "novos escravos" disputam ferozmente posições para servirem aos "novos senhores", ou seja, os "novos escravos" são bem mais baratos economicamente.

Não é preciso cruzar mares para sequestrá-los, eles vêm de todos os cantos, e se arriscam em barcos pelos mares, ou já estão por perto.

Outra ponta da nova escravização está aqui, neste blog, na sua rede social, nas suas ou nossas plataformas digitais, onde bilhões de pessoas trabalham diariamente para gerar conteúdo que entregam de graça aos donos destes conglomerados de informação, que ainda garimpam e comercializam, como bônus, todos os aspectos sócio-interacionais dos perfis dos seus "escravos digitais", como preferências políticas, de consumo, de costumes, etc.

Exemplo deste novo mundo: corporações jornalísticas, debatendo-se inutilmente contra o monstro digital que as devora, pediram judicialmente indenizações pelo conteúdo produzido por elas, e apropriado gratuitamente pelas plataformas digitais.

Só nós não percebemos ainda do que se trata: quando o serviço é de graça, o produto somos nós, alguém já disse.

Esta é escravidão muito, mas muito mais complexa e intransponível que a "clássica".

Já que ao que tudo indica, ao contrário do processo de escravização colonial (Século XV e XVI em diante), que buscava a acumulação primária, e depois se esgotou pela necessidade de dotar os escravos de capacidade de virarem mercado consumidor, este novo modelo se prepara para eliminar cada vez mais a necessidade de se abastecer na relação gente e produto do trabalho desta gente, já que parece claro que a gente, ou o ser humano é que será seu principal produto.

É a exacerbação de um modelo que restou na época dos escravos coloniais, quando o tráfico de gente, em algumas economias passou a ser mais importante que a própria economia produtiva em si, como em Campos dos Goytacazes e algumas cidades nordestinas, mas que esbarraram nas barreiras ditas reais e físicas, já que em certo tempo interessou aos centros capitalistas a incorporação destes contingentes então escravos ao mercado de seus produtos industriais, ainda que como incidentes periféricos e subalternos.


Hoje, a auto-suficiência dos planos digitais, anexadas às formas de alavancagem financeira, criando uma grande dimensão de serviços e fluxos de informações daí derivados, revela que a objetificação da Humanidade caminha para seu ápice.


Não há nada de moderno no primitivismo que se aproxima.

Não  há nada de avançado na civilização que se anuncia.


 




Quem faz a fama, deita na ca(â)ma(ra)? Um breve momento na Gaiola das Loucas!

  Algo vai muito mal quando juízes e policiais protagonizam política, e pior ainda, quando são políticos que os chamam para tal tarefa... Nã...