quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
"A cidade não para, a cidade só cresce, o de cima sobe, e o debaixo desce" (Chico Science in A Cidade).
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
A salvação da lavoura dos "meninos de engenho".
segunda-feira, 7 de dezembro de 2020
Antes tarde do que nunca? Talvez...
Já dizia Rui Barbosa que justiça tardia nada mais é que injustiça qualificada.
Pode ser...
Eu sempre escrevi que sou contra, totalmente contra a intervenção estatal nos assuntos políticos partidários, ou seja, na tutela do TSE e outros tribunais sobre os processos políticos.
Favor não confundir com um chamado à impunidade, nada disso.
Delitos e irregularidades devem receber atenção administrativa e judicial, mas sem a existência de uma "justiça especial", que comprovadamente, mais legisla sobre eleições que fiscaliza irregularidades, e quando o faz, traz mais instabilidade que estabilidade aos pleitos eleitorais que diz querer proteger.
Dito isso, passemos ao nosso assunto de interesse hoje.
A decisão da próxima quinta-feira, que poderá confirmar ou cassar o registro da chapa do candidato mais votado nas eleições de Campos dos Goytacazes, o herdeiro da dinastia da Lapa, é um destes casos de "justiça tardia".
Digo o porquê:
O singelo argumento do candidato a vice impugnado é um primor, ele que era diretor de um hospital subvencionado por por verbas públicas na maior parte de seu orçamento.
Ora, o candidato diz-nos, e diz aos juízes, que ele não sabia que precisava se desvincular do hospital, e que em outros casos semelhantes, há julgados que garantam esta permanência.
Um assombro.
De tanto usar o cachimbo, eis que a boca entorta.
Anos e anos as empresas de saúde, hospitais privados, todos mascarados em títulos como filantrópicos, sem fim lucrativos, e que tais, misturaram tanto das verbas públicas com seus caixas, que agora eles sequer conseguem enxergar a diferença entre a natureza e origem destes recursos.
Não enxergam também a impropriedade de um diretor de entidade mantida quase em sua totalidade por verbas públicas, ser candidato a algum cargo eletivo, ainda mais quando este cargo terá influência direta na destinação, emprego e fiscalização destas verbas.
Parece "justiça" enfim que ele seja impedido justamente por não entender (ou fingir que não entende) esta diferença.
Mas isso não é um alento.
Os primeiros nomes da equipe do quase-futuro-prefeito, ou prefeito-precário denotam que a cidade continuará sob as botas das mesmas elites.
O viés de desenvolvimento econômico?
Um lojista, desprovido de qualquer olhar social sobre os aspectos de desenvolvimento.
Equipe de transição de saúde?
Médicos ligados a tal rede contratualizada.
Quem sabe agora um dono de empresa de segurança privada para a secretaria de segurança, um dono de supermercado para administrar os programas sociais de alimentação e segurança alimentar, e por aí vamos?
E não se iludam...quaisquer outros dois candidatos subsequentes (segundo e terceiro colocadas) mais votados iriam pelo mesmo caminho.
Talvez até o PT fosse por este caminho, a julgar a apoio envergonhado dado ao filho do prefeito-Canecão.
Há anos a melhor saída de Campos dos Goytacazes é a BR 101.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
Capitalismo uma história de amor. (Legendado)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
A Origem.
"Ninguém chuta cachorro morto".
"Ninguém joga pedra em árvore que dá bons frutos".
"Quem desdenha quer comprar".
A recente onda de ataques ao PT, que copia tantas outras por sua temporalidade, ou seja, sempre após as eleições, revela, ao contrário do que pretendem, que o partido ainda incomoda.
O teor de fraudes nas análises atuais é tão tóxico, que eu penso duas vezes antes de adentrar este ambiente.
Temos de todo tipo de estelionato analítico, desde os mais empolados, lavrados pelos "cientistas" que sabem o javanês, até outros ditos menos qualificados.
O resultado é um caldo de senso comum horroroso.
Qualquer imbecil que se dedica a qualquer tipo de pseudo-ciência, justamente aquelas chamadas de sociais, poderá dizer que nenhum fenômeno político-social poderá ser tratado sem um distanciamento histórico que permita um olhar amplo, e claro, uma equidistância (nunca neutralidade) do observador em relação ao seu objeto.
Olhando por números, o PT está aonde poderia estar, dadas as circunstâncias atuais e as escolhas de seus dirigentes.
Analisar o PT requer um esforço mais delicado e um pouco mais de inteligência.
O primeiro erro nas "análises" é confundir PT com os governos que ele participa, geralmente como pólo concentrador dos capitais políticos.
O PT continua a ser o maior partido da esquerda mundial em número de filiados, e sua ramificação pelo país o coloca entre um dos maiores partidos do país.
O PT é uma das principais forças políticas do Congresso, sendo certo que sua bancada na Câmara Federal está entre as três maiores.
O PT desde 1982 experimentou crescimento constante, que só foi interrompido não pela dinâmica das disputas políticas chamadas de normais, mas por um período obscuro de lawfare, golpes e toda sorte de violência simbólica.
Mesmo assim, com seu principal nome preso pelo juiz que iria fazer parte do governo do principal adversário do PT, e agora vai trabalhar para a empresa que "recupera" a empresa que ajudou a destruir, o PT fez mais de 45 milhões de votos para presidente, com um nome de pouca expressão nacional, apesar de ter sido prefeito da capital paulista.
Hoje, nas eleições recentes, o PT manteve seus seis milhões e novecentos e poucos votos auferidos em 2016, apesar de ter sofrido derrotas nas maiores cidades.
A disputa pela hegemonia da narrativa está acirradíssima, e por certo é patrocinada pela mídia, que agora descobriu a mesma pólvora de sempre, os "novos esquerdos de centro", que eu também chamaria de cristãos-novos (como se chamavam os judeus convertidos à força, para não morrerem na fogueira da Inquisição Ibérica, que durou entre os séculos XV e XIX).
Já tivemos Marina Silva, Ciro, Eduardo Campos, Marcelo Freixo, etc, etc.
Toda eleição a direita consagra uma "alternativa" para substituir o PT na interlocução com o eleitorado chamado mais progressista.
Eles misturam ingredientes caros à direita, como pautas identitárias que aplacam culpas pequeno burguesas, certo charme intelectual, e claro, só sobem ao palco se recitarem algum tipo de anti-petismo e suavizarem seus discursos, deixando a "espinhosa" questão econômica para os "sábios do mercado".
Neste espectro, não há uma homogeneidade, claro.
Porém, via de regra, salvo raríssimas exceções, estes quadros políticos se revelaram opções muito mais conservadoras que as próprias concessões que o PT fez para governar o caos capitalista.
Vamos de novo à História.
O Partido dos Trabalhadores sempre foi rejeitado pelas suas bandeiras históricas, e pela sua intensidade política interna, que gerava enorme energia política resultante da fricção de corrente políticas que iam da extrema esquerda da Convergência Socialista e O Trabalho até a direita da Democracia Radical, de José Genoíno.
Tudo isso equilibrado pelo enorme campo chamado Articulação.
Apesar disso, ou melhor, justamente por isso, sempre renovou seus quadros e arejou seu ambiente externo pela atração permanente de quadros mais jovens, que nesta idade estão mais afetos às teses políticas chamadas "impossíveis" (mas nunca menos importantes), rejeitando a conservação política das moderações e alianças.
Este balanço dava vida ao PT, e o tornava uma experiência original, mesmo em meio a um conservadorismo extremo da sociedade brasileira, que flui e reflui ao sabor dos ventos de expansão e retração das tentativas políticas de dotar este país de um tipo mais ameno de capitalismo.
Em 1988, apesar de seu pouco peso relativo na cena política, e consequentemente no jogo institucional, o PT soube encontrar brechas para propor e mobilizar a opinião pública para inserir alguns tópicos modernizantes no pacto constitucional.
Ao mesmo tempo, cedeu e ajudou a cevar um monstro (nas palavras de Sepúlveda Pertence, jurista que assessorou parlamentares nas questões jurídicas na Constituinte de 88), que atende pelo nome de Ministério Público.
Um erro de cálculo, uma vitória de Pirro que condenou o PT a crescer politicamente na classe média urbana, estruturando sua ação política com a milícia policialesca do Ministério Público, auxiliando na criminalização da política, no denuncismo, enfim, na avacalhação da política.
O ápice desta estratégia equivocada foi o golpe em Collor, que marca a inflexão crucial no período pós ditadura, que une o jornalismo-cangaceiro-miliciano ao recém nascido lawfare, que na época nem era assim considerado.
Por isso repisamos a necessidade de um olhar histórico amplo.
A partir daí, o PT inicia sua jornada de expurgos das correntes mais "radicais", de expansão do "centro", para se mostrar capaz de governar, sem enxergar que deste modo seria governado por quem sempre combateu.
O erro grave, anotem bem, não é compor e aparar arestas dentro de governo multipartidários, com forças diferentes, ideologicamente diferentes.
Nada disso.
O início da agonia petista foi não manter a sua vida interna polifônica, de diferentes espectros, para então levar aos governos que compunha a possibilidade de tensionar as políticas públicas, aumentando assim seu poder de negociação, ao invés de já chegar à mesa diluído e domesticado pelas interdições ideológicas impostas pela direita e seu aparato de controle social.
Quero fazer uma ressalva aqui, importante:
Não é inédito na História que siglas nasçam e desapareçam, ou se diluam em outros campos políticos.
O PT, como representante de um tipo de classe social e de um momento histórico específico (o trabalhismo pós ditadura) experimenta o desgaste próprio a sua identidade, ou seja, ao envelhecimento desta identidade.
O fim do trabalho como a principal forma de organização social, com o advento do pós-capitalismo que bate às portas, é fator preponderante no abalo das formas de organização políticas e sociais que tinham-no (o trabalho) como referência principal.
Paradoxalmente porém, o PT não encontra dificuldades apenas por sofrer este incidente histórico, mas por não ser capaz de compreendê-lo, e apresentar a única pauta capaz de lhe dar relevância política, ou seja, reagrupar sua agenda anti-capitalista.
É contra esta possibilidade que a mídia e os demais coveiros do PT se levantam.
Sim, porque a domesticação do PT está completa, ou quase, e cabe a pergunta:
Se o PT já está domesticado, por que a direita não o aceita como força política legítima e capaz de gerir o capitalismo?
Ora, porque estas forças sabem que ainda resta algum risco (considerável) de que a enorme capilaridade petista, e sua memória política popular (personificada em Lula) possam recuperar a combatividade para redirecionar os vetores da política nacional e mundial.
A direita sabe disso, mesmo que até o PT não saiba, ou tenha esquecido.
As fraudes da mídia conservadora ficam expostas quando as "alternativas" ao PT sempre têm o mesmo destino:
Ficarem mais parecidos com a direita, principalmente na aceitação do receituário ultra-liberal, ainda que mantenha algumas questões "morais" no campo da "modernidade".
Este foi, como já dissemos, o fim de Marina, de Ciro, Freixo, e este é o caminho preparado Boulos e Manuela D'Ávila.
O figuro atual da nova temporada fashion politik é edulcorar o "centro".
É uma encenação grotesca, já que olhando de forma honesta, nada se parece mais com o centro que o PT.
O que querem então?
Ora, impedir ou travar qualquer chance de debate que saia dos padrões já estabelecidos, e para isto é crucial aniquilar o PT.
Desde o mais remoto rincão, até as maiores capitais a cantilena da "responsabilidade fiscal", da "crise", das "privatizações" é a mesma.
Nenhum candidato do PT, ou apoiado por ele, saiu destes limites e ousou nada diferente, e junto com tudo isso, nenhum candidato da chamada esquerda ousou atacar os "partidos do judiciário", ao contrário: a disputa é para dizer quem é mais "honesto".
Enfim, o PT não perdeu as eleições de 2020, o PT apenas continuou a se misturar com os conservadores, e neste campo, por óbvio, o PT desaparece, e junto com ele todos os outros da esquerda.
Lembremos que durante o curto período do PT nos governos federais, todas as forças que eram consideradas mais à esquerda não criaram nenhum espaço de tensão para puxar o governo de coalizão para este lado.
Ao contrário, atacaram o governo de coalizão com o mesmo arsenal teórico da direita.
O capitalismo é um sistema que se estrutura na desigualdade, mas deseja sempre a uniformidade dos estamentos políticos, para estabelecer regras que tenham um único objetivo:
Garantir seu funcionamento e sua reprodução.
Não é à toa que todas as vezes que esta equação foi ameaçada, as forças capitalistas patrocinaram golpes que eliminaram ou aplainaram os conflitos políticos e os partidos.
Não é à toa que o ápice da concentração de riqueza mundial (e uma brutal desigualdade) coincida com a derrocada dos sistemas representativos pelo mundo, com a esmagadora abstenção de eleitores.
É disso que se trata.
Eliminar os últimos partidos que ainda ofereçam algum tipo de voz dissonante.
Pouco interessa ao Capital se o nome deste partido é PT ou PXYZ.
A tarefa deles é matar o sonho na origem, matar a ideia, se possível, com a auto-censura da vítima.
Ação sem ideia é mero reflexo.
O Capitalismo é um sistema de reflexos, quando a única ideia é a sobrevivência e reprodução do Capital.
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
O céu (nublado) de Frederico.
Lá vamos nós de novo.
Ontem, e desde sempre, eu disse que as perspectivas para a cidade de Campos dos Goytacazes são bem ruins, e o recado do eleitorado, que se absteve em massa da escolha de um dos concorrentes no segundo turno parece refletir o mesmo sentimento.
Eu sou muito afeto a simbolismos.
É fato que há por trás de cada gesto um significado, que de um lado é próprio de quem o pratica, mas assume importância no processo de interpretação daqueles a quem se dirige.
A nomeação da equipe de transição da chapa campeã de votos, porém ainda com situação jurídica pendente, e anunciada pelo prefeito-precário, é um destes gestos que parecem corriqueiros, mas trazem em si uma cadeia de acontecimentos que os antecedem.
Um leitor ou leitora desavisado diria: A nomeação de médicos é um alerta que a saúde será a prioridade do governo.
Pode ser.
Porém, cabe a pergunta, que tipo de "saúde"?
Dentre os nomeados precariamente pelo prefeito-precário estão dois médicos, e um diretor de hospital privado.
Os dois médicos militam, eles também, no setor privado, que no Brasil ganhou o nome de rede contratualizada.
A rede contratualizada deveria ser um mero apêndice, uma rede auxiliar na implementação dos atendimentos do SUS, mas com a pirataria privatista do Estado (lato senso), virou um fim em si.
A exceção virou regra, e quando isto acontece, as regras são sempre para contemplar "exceções" indesejáveis, privilégios e outros interesses menos confessáveis.
Em inúmeros casos, investigações policiais e ministeriais já deram conta de que esta rede concentra vários problemas, e a operação de recursos públicos em tais sistemas privados é, no mínimo, uma temeridade.
Há aqueles que chamam as instituições filantrópicas de "pilantrópicas".
Não é bom generalizar.
Afastemos esta tábula rasa da criminalização policial da gestão pública, e foquemos no absurdo em si que é usar dinheiro público para cevar o setor privado, e pior, para tratar o contribuinte-cidadão igual a cachorro.
Quer dizer, antes fosse igual a cães, pois estes merecem hoje tratamento melhor neste país.
Fica então a dúvida se esta montanha de recursos alocados em redes particulares, além dos subsídios fiscais das deduções de impostos (de renda, das pessoas físicas e jurídicas) que alimentam empresas de saúde, não concorrem diariamente para a destruição do SUS, um dos únicos sistemas de atendimento público e gratuito de saúde do planeta, e se considerarmos o alcance dos atendimentos (qualquer pessoa que esteja no país) e o tamanho da população, é o único do tipo.
É um truque retórico:
Claro que estes desvios das finalidades dos recursos solapam o SUS, e depois revertem em argumentos para seu desmonte.
Não é errado dizer que as verbas SUS destinadas a tais hospitais servem, principalmente, para ajudar a atender seus clientes particulares, justamente os que podem pagar, que acabam por ser aproveitar dos insumos e bens adquiridos com o dinheiro público.
Assim, quando o prefeito-precário elege como seus principais interlocutores os médicos ligados a este sistema privado de saúde, ele nos diz o tipo de saúde que teremos.
Não é novidade para mim, já que observei que a campanha do prefeito-precário usou como mote justamente as emendas parlamentares liberadas por ele para estas instituições privadas, e nenhuma verba (ou quase nenhuma) para os cofres da Prefeitura, ou para o SUS.
Fica a pergunta, esta de natureza não retórica;
Será que na imensa "experiência" do quase-prefeito-eleito não há nenhum laço ou relação com médicos ou profissionais de saúde ligados a rede pública, funcionários de carreira do setor público, ou ligados às entidades de classe dos trabalhadores do setor, e que sejam pró-SUS?
Ao mesmo tempo, olhando para o papel anunciado para o quase-vice parece que nasce um novo Dick Cheney.
Com uma crucial diferença: Cheney não cometia erros simplórios.
O quase-vice, dublê de usineiro e diretor de hospital, foi aquele que "esqueceu" de largar a diretoria do hospital, sob infantil argumento de que era um momento grave, o da pandemia.
O que nos leva a outras perguntas, e se ele morresse naquela época, o hospital fecharia ou, que gestor é este que não tem delegados ou sucessores?
Então temos duas mensagens do quase-prefeito-eleito:
- A saúde caminha para sua privatização!
- Toda incompetência (do quase-vice) será perdoada, e até recompensada.
PS:
E por falar em emendas parlamentares, instituições de saúde privadas e filantrópicas, eu pergunto:
Onde anda Paulo Feijó?
Que bom ter uma esquerda que briga para que as prisões só aconteçam quando os processos chegarem aos seus termos (finais), não é mesmo?
Punitivismo nos olhos dos outros é sempre refresco...
Quem faz a fama, deita na ca(â)ma(ra)? Um breve momento na Gaiola das Loucas!
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